terça-feira, 3 de dezembro de 2024

Perdido de novo

 E, depois de tanto tempo, eu volto aqui para vomitar um pouco do que estou sentindo.


São sempre muitas mudanças, tudo ao mesmo tempo, muitas incertezas e, controlador do jeito que eu sou, claro que isso me deixa no meio de uma angústia eterna.


Seja pelos quatro cafés que eu tomei hoje, seja por essa ansiedade, minha barriga segue gritando alguma coisa que eu não consigo entender nem interpretar.


No final de semana, uma briga com meu namorado me colocou mais uma vez na parede. Eu gosto muito dele e tenho muito medo de perdê-lo. Por isso abdico dos meus desejos diariamente. Mas 8 anos é muito tempo e esse exercício fica cada vez mais árduo.


Tenho medo de perder um possível futuro com ele, que tenho certeza seria incrível, mas também tenho muito medo de perder tudo o que uma vida de farra poderia me proporcionar. O problema é que essa segunda é muito mais urgente e latente. Se não for agora, talvez não seja mais.


E meu relacionamento também.


Longe de mim tratar esse namoro/casamento como uma transação comercial, mas e se ele for o amor da minha vida? E se o meu desejo por outras pessoas estiver me afastando do que de melhor a vida a dois poderia me proporcionar? Não parece ter saída. Para qualquer lugar que eu olho, vejo dúvida e "se".


Me enxergo sozinho, aproveitando muitas festas, beijando, transando, gozando. E chorando. Pensando na promessa do que nunca foi. Meu coração fica partido de imaginar ver um post dele nas redes sociais com outra pessoa - e isso só perde para a sensação de vê-lo chorando, em prantos, caso nosso relacionamento venha a terminar.


Mas isso já acontece com ele hoje, quando brigamos. Me sinto fazendo mal a ele o tempo todo. Me sinto culpado pelo meu desejo. Culpado por não atender às expectativas dele. Por fazê-lo sofrer mesmo sem querer. Mesmo amando ele.


Eu amo ele? Como ter certeza de que se ama uma pessoa? Ele me ama? Ou é apenas atração sexual? Tesão. A paixão é imprescindível para vivermos essa vida juntos? Não sei se tenho o que preciso.


Enquanto isso minha barriga segue gritando.


Consegui o emprego dos meus sonhos. Nos últimos 06 anos, suplicava por uma empresa multinacional, repleta de oportunidades, que elevasse meu potencial. Um escritório lindo, grande, com estrutura impecável, gymp4ss e muito mais. Ele veio, mas de forma meio torta.


Tive que enfrentar alguns demônios e me olhar de frente no espelho algumas vezes antes de decidir: quero voltar a ser designer. Será que eu passei dessa fase? Eu sei gerir projetos, isso não é melhor? Sei me comunicar, já geri equipes inteiras, lido com clientes.


Me acho competente, mas sou uma fraude? Não sei o que é bauhaus, mas gosto de mexer no photoshop. Tem gente que sabe e não entende de equilíbrio, de estético.


O que eu estou fazendo da minha vida? Agora minha barriga grita e meu olho enche um pouco de lágrimas. Quero ir embora mas nossa, vai demorar para chegar em casa. Ônibus cheio de gente, trânsito, chuva. Mas também não quero gastar com uber de novo hoje - já foram 50$ logo cedo.


Tenho muito medo de não conseguir pagar todas as minhas dívidas. Não sou a pessoa mais controlada do planeta e, depois das últimas compras para o apartamento, estou procrastinando colocar no papel tudo o que gastei. Até coloquei já, mas estou fingindo que não vejo.


O que mais eu estou fingindo? Que estou bem, que sou forte, que não ligo, que xingo e foda-se. Eu quero só chorar, não quero levantar da cama. Não quero trabalhar, não tenho vontade de mais nada.


Quero ter dinheiro para sustentar a minha avó para que ela não tenha que trabalhar já estando tão velha. Ela está cansada também. Mas eu também estou.


Dizem que a idade certa para se ferrar é logo de jovem mesmo. Se joga, se ferra de trabalhar, aprende um monte e dalí sai alguma coisa. Será que sai algo além de sofrimento e burnout?


FODA-SE O BURNOUT


Hoje tive que ficar mais de 1h30 em uma reunião cheia de "draivados". Eu deveria me importar tanto assim com isso?


Eu deveria odiar tanto a minha chefe? Não sei se consigo odiá-la. Mas ela me faz sentir muito desconfortável. Não gosto do jeito que ela fala comigo, me rebaixando. Mandando por mandar. Odeio ter que ficar argumentando, sempre sinto que estou perdendo.


Será que eu não sei argumentar? E minha barriga grita.


Enquanto estou cheio de coisas para fazer, não consigo me mexer. Vim aqui numa tentativa desesperada de colocar todos os meus sentimentos para fora para me livrar disso. Essa doença que me consome, que me engole.


Não aguento mais isso. Essa pressão que fica na minha cabeça o dia todo levantando cenários que não existem e nunca existiram e nunca existirão.


Por que as pessoas não gostam de mim? Eu só queria ser aceito, minimamente valorizado. Não consegui falar isso para ninguém ainda. Pedi as contas e contei a verdade - quase completa.


QUE PORRA eu não consigo nem desabafar sem pensar em usar corretamente um hífen. Essa cadeira deixa minha coluna muito ereta. Não consigo esticar as pernas porque a mesa tem um pé enorme e sólido. Estou me sentindo com sono e claustrofóbico.


As pessoas não param de falar, de rir de trabalhar. O problema sou eu? Deu me livre gostar de Taylor Swift.


Esse escritório é lindo e estou com uma dor imensa de abandonar isso que eu consegui aqui. Odeio quem me colocou nessa posição. Eu tinha algo bem menor, mas que estava mais no meu controle. Até que não esteve mais e fui demitido.


Fui me colocando em posições desconfortáveis por dinheiro e deu ruim. Talvez seja essa a lição. Não estou confortável. Não posso repetir esse erro. Eu nem trabalho nesse escritório aqui.


Quem sabe a partir de segunda minha vida volta a ser perseguir os MEUS sonhos. MEUS objetivos. Não tenho certeza de nada, mas sei que não quero permanecer assim. Quero outra coisa, mas o que?


Eu quero chorar e minha barriga segue gritando. Será que é azia? Não é possível.


Minha barriga grita. Minha cabeça não para. Eu devia dormir mais cedo.


Não sei o que eu falei aqui da última vez e deu pra perceber que eu não sei de muita coisa também. Eu sei que eu estou perdido, eu acho. Qual é essa bússola mágica que a gente tem que ter? Como as pessoas têm tanta certeza de tudo?


Eu nem gosto mais de falar tanto palavrão. Acho chato. Me sinto sempre tão rejeitado. É a droga do pai de novo? Que saco, sabe... Achei que tivesse superado essa caceta.